Endometriose profunda: o que muda no tratamento

A endometriose profunda é uma forma específica da doença, definida pela
presença de lesões que infiltram os tecidos a mais de 5 milímetros de
profundidade. Diferente das formas superficiais, ela pode acometer
estruturas como intestino, bexiga, ureter e os ligamentos de sustentação do
útero, o que torna o diagnóstico e o tratamento significativamente mais
complexos.


Do ponto de vista diagnóstico, o ultrassom pélvico convencional não é
suficiente para mapear esse tipo de lesão. São necessários protocolos
específicos, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, realizado
por profissional treinado, e em alguns casos a ressonância magnética. Um
mapeamento incompleto pode levar a tratamentos inadequados e recidivas
precoces.


No tratamento, não existe uma conduta padrão. A decisão entre abordagem
clínica, com bloqueio hormonal, e intervenção cirúrgica depende da
localização e extensão das lesões, dos sintomas, da resposta a tratamentos
anteriores e dos planos reprodutivos da paciente. Quando a cirurgia é
indicada, ela deve ser realizada por equipe com experiência em
endometriose profunda, que pode incluir cirurgião intestinal.


Por ser uma doença crônica, o acompanhamento especializado contínuo é
parte do cuidado, não um complemento opcional. É ele que permite
monitorar a progressão da doença, ajustar o tratamento e identificar
precocemente qualquer sinal de recidiva.